A direcção nacional da FECTRANS, reuniu ontem e decidiu um conjunto de acções e linhas de intervenção de que se destaca:
- Saudar todos os trabalhadores do sector pela luta desenvolvida nas empresas e nas acções gerais promovidas pela CGTP-IN contra o pacote laboral, pelo aumento dos salários e pensões, pela defesa dos direitos e pela melhoria das condições de vida e de trabalho.
- Saudar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, apelando ao empenho dos trabalhadores na sua defesa e reforço, para a construção de um país mais justo e solidário.
- Apelar aos jovens trabalhadores do sector para uma forte participação na Manifestação de 28 de Março, Dia da Juventude, com início às 15h, na Praça da Figueira, em Lisboa.
- Dinamizar a acção reivindicativa, reforçando o envolvimento dos trabalhadores nos processos negociais, desde a elaboração até à decisão final, visando aumentos reais dos salários e a melhoria das condições de vida e de trabalho.
- Prosseguir a luta pela derrota do pacote laboral do Governo, iniciando desde já a mobilização para a Manifestação Nacional de 17 de Abril, com início às 14h30, no Saldanha, em Lisboa.
- Manter a exigência da defesa da componente pública do sector, denunciando os efeitos negativos para o País e para os trabalhadores decorrentes dos processos de privatização já efectuados e de mobilização contra os processos de privatização em curso, com o desenvolvimento das acções e lutas que se sejam necessárias;
- Avançar com a concretização das iniciativas previstas no Plano de Actividades, fixando a primeira quinzena de Outubro para a realização do 2.º Encontro de Saúde e Segurança no Trabalho.
- Mandatar o Secretariado para desencadear o processo de realização do 6.º Congresso da FECTRANS, fixando o dia 9 de Abril de 2027 para a sua realização, em local a definir na Área Metropolitana de Lisboa
Estas decisões resultam da análise da situação politica e social no país, no mundo e em particular, no sector dos transportes e comunicações, de que se destacam os seguintes elementos:
Os trabalhadores enfrentam uma forte ofensiva contra os seus direitos e contra as suas condições de vida e de trabalho, decorrentes das opções do Governo PSD/CDS, apoiado numa maioria constituída pela IL e CH e agravada pela situação internacional, nomeadamente, aumento dos conflitos bélicos em várias regiões.
O quadro internacional, marcado por guerras, ingerências e agressões promovidas pelo capitalismo, visa a pilhagem de recursos naturais, a destruição do ambiente e o aprofundamento da exploração generalizada dos trabalhadores e dos povos.
Os ataques dos EUA e de Israel ao Irão merecem firme condenação. São acções realizadas à margem do direito internacional, violando os princípios da Carta das Nações Unidas e agravando ainda mais a já complexa situação na região. Estes ataques associam-se à política de Israel de genocídio do povo palestiniano e às agressões e chantagens criminosas dos EUA contra a Venezuela, Cuba e outros países.
É neste contexto que a guerra no Médio Oriente tem tido um impacto profundo na vida dos trabalhadores, que enfrentam o agravamento dos custos dos bens essenciais, não compensado pelas propostas apresentadas nas diversas empresas e sectores.
O aumento real dos salários, a valorização das profissões, a redução do horário de trabalho para as 35 horas sem perda de retribuição e a redução da idade legal de reforma são reivindicações actuais e que devem ser dinamizadas a partir de cada local de trabalho.
O Governo já demonstrou que o seu objectivo é transformar em negócios privados tudo o que são serviços públicos e funções sociais do Estado, numa lógica de privatizar receitas e nacionalizar custos.
A privatização da TAP e o anúncio das concessões/privatizações dos serviços urbanos da CP em Lisboa e Porto, inserem-se nessa estratégia, que, como a vida demonstra, conduz à degradação do serviço público — tal como se verifica no sector das telecomunicações e nos CTT, onde a administração exige mais contrapartidas do Estado, apesar desta empresa canalizar anualmente milhões de euros de lucros para accionistas privados.
A denominada “reforma do Estado” compromete seriamente os serviços públicos e as funções sociais do Estado, em nome de novas e mais profundas fontes de negócio e de maximização do lucro, fragilizando o acesso aos cuidados de saúde, à educação, à protecção social, à habitação, entre outros sectores essenciais.
O Governo PSD/CDS-PP insiste no seu pacote laboral, rejeitado nas diversas acções de luta, destacando-se a grande greve geral de 11 de Dezembro do ano passado, na qual os trabalhadores do sector deram um contributo decisivo para o seu êxito.
É, por isso, imperioso reforçar a mobilização pela revogação das normas gravosas já existentes na legislação laboral e prosseguir a luta pela derrota de uma política que compromete o futuro de quem trabalha ou venha a ingressar no mundo do trabalho.
A situação actual demonstra, mais uma vez, a centralidade da luta dos trabalhadores na defesa dos seus direitos. É evidente que, sem a sua mobilização, o Governo PSD/CDS, com o apoio do CH e da IL, já teria avançado com o pacote laboral, cumprindo compromissos assumidos com os patrões e agravando ainda mais as condições reivindicativas nas empresas.
A valorização do trabalho e dos trabalhadores passa pela defesa dos ideais do 25 de Abril, consagrados na Constituição da República aprovada a 2 de Abril de 1976.
A resposta necessária exige o reforço da unidade e da força dos trabalhadores, num quadro de aumento da sindicalização nos sindicatos da FECTRANS/CGTP-IN, sendo fundamental prosseguir o trabalho de reforço da sindicalização.


