CP PúblicaE não posso […] deixar de dar uma nota de agradecimento aos colaboradores da CP que, todos os dias, enfrentam com sucesso os desafios operacionais de manutenção inerentes a uma frota tão envelhecida.

São exemplo. Estes trabalhadores são exemplo de dedicação e de profissionalismo, que merecem ser realçados.

Recentemente, na omissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o Ministro das Infraestruturas reconheceu publicamente a dedicação, o profissionalismo e a capacidade dos trabalhadores da CP para responderem, todos os dias, aos enormes desafios operacionais de uma frota envelhecida.

As palavras de reconhecimento dirigidas aos trabalhadores da CP são importantes, mas não chegam. Mas reconhecer o mérito dos trabalhadores exige mais do que declarações públicas: exige decisões políticas coerentes com esse reconhecimento.

Esse reconhecimento é justo. Os ferroviários têm sido, muitas vezes contra todas as adversidades, a garantia de que o serviço público ferroviário continua a chegar às populações. São eles que mantêm comboios a circular, asseguram a manutenção possível, respondem aos imprevistos e dão rosto a uma empresa pública essencial para o país.

Os trabalhadores da CP não precisam apenas de palavras bonitas. Precisam de valorização, de condições de trabalho, de meios humanos, de oficinas reforçadas, de material circulante adequado e de uma estratégia pública que coloque a ferrovia ao serviço das populações — e não dos interesses privados.

É por isso que causa profunda preocupação a intenção do Governo de avançar com subconcessões a privados em áreas estratégicas da CP. A entrega de partes do serviço público ferroviário a interesses privados não responde aos problemas estruturais da empresa: desvia recursos, fragmenta a operação e abre caminho à fragilização dos direitos dos trabalhadores.

Nesta audição, o Ministro deixou algumas dúvidas relativamente ao futuro dos trabalhadores que hoje estão integrados nas linhas que pretendem privatizar.

Se o Governo reconhece que os trabalhadores são exemplo de dedicação e profissionalismo, então deve tirar as consequências desse reconhecimento: reforçar a CP, renovar a frota, contratar os trabalhadores em falta, valorizar carreiras e salários, e garantir que as decisões sobre o futuro da ferrovia permanecem nas mãos do interesse público.

Portugal precisa de uma CP forte, moderna, integrada e pública. Precisa de uma empresa capaz de responder às necessidades das populações, combater as desigualdades territoriais, promover a mobilidade sustentável e assegurar um transporte ferroviário de qualidade em todo o país.

Entretanto, paulatinamente, o Governo vai esvaziando a CP quando decide, no âmbito da avaliação das empresas do sector empresarial do Estado, vender três empresas da CP — SAROS, FERNAVE e ECOSAÚDE — que prestam serviços para a empresa-mãe, assim como para outras empresas.