Realizou‑se hoje a primeira reunião de negociação com a CP, na qual a administração apresentou a seguinte proposta de actualização salarial:
Tabela Salarial
- 56,58 € para salários até 2.631,62 €
- 2,15% para salários iguais ou superiores a 2.631,62 €
Subsídio de Refeição
- Aumento de 0,15 €/dia, passando o subsídio para 10,35 €
Segundo a administração, estes valores resultam do despacho do Governo para as empresas públicas — um despacho que, na prática, limita e condiciona o direito à negociação colectiva.
Desde logo colocámos uma questão essencial: se a administração se limita a cumprir o despacho do Governo, que margem real existe para uma negociação efectiva que permita discutir as contrapropostas sindicais?
As organizações sindicais solicitaram ainda dados concretos sobre o impacto desta proposta na massa salarial, condição indispensável para uma negociação transparente e fundamentada.
Numa empresa onde, com menos trabalhadores, se transportam mais passageiros, é evidente que têm de existir ganhos para quem assegura diariamente o funcionamento da CP. Não é aceitável que se invoquem os maus resultados da empresa para desvalorizar o trabalho dos ferroviários, quando estes não são responsáveis por esses resultados.
É fundamental continuar a valorizar os salários, garantindo condições que permitam atrair e reter trabalhadores. A proposta apresentada representa um retrocesso, aproximando‑se dos tempos anteriores à última actualização salarial conquistada com a luta dos trabalhadores.


