#gruemenu.grue

Perante as greves anunciadas para a próxima semana nos aeroportos nacionais, e face aos apelos públicos, dirigidos ao SITAVA e aos trabalhadores, cumpre-nos informar que:

Lamentamos os transtornos que serão causados aos passageiros nestes três dias, mas compreendam os transtornos que a actual situação provoca todos os dias aos trabalhadores, e tenham em conta que lutamos essencialmente pela defesa dos nossos postos de trabalho e das nossas empresas.

E não esqueçam que, no limite, se nada for feito para travar o processo liberalizador, estará em causa o serviço prestado aos 40 milhões de passageiros e a sua segurança.

Sobre os receios de “prejuízos grandes” e do eventual “extravaso para o que está em causa ” que a Confederação do Turismo Português (CTP) veio invocar, recordamos que o maior prejuízo para os trabalhadores é o risco de ficarem sem o seu posto de trabalho (no caso da Groundforce), de manterem uma situação de precariedade e exploração eterna (no caso da Prosegur e Securitas), serem vítimas diariamente de assédio moral e de alterações unilaterais e ilegais nas regras de trabalho (no caso da Portway) ou de permanecerem eternamente mergulhados na precariedade e nos baixos salários (no caso das prestadoras de serviços, da Groundlink e da Ryanair). Esse é o maior prejuízo e não há para os trabalhadores maior “extravaso” que esse!

É público o crescimento do Turismo nos últimos anos em Portugal com sucessivos records a serem batidos, assinalando um crescimento sustentável e com perspectivas de reforço. Em 2015, os estabelecimentos hoteleiros registaram 16,3 milhões de hóspedes (mais 8,6% que em 2014) e 46,5 milhões de dormidas (mais 7,0% que em 2014), sendo que o saldo da rubrica Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos atingiu 7,8 mil milhões de euros, espelhando um crescimento de 9,5%. Em relação a 2016, os últimos dados divulgados pelo INE comprovam o bom momento que o sector atravessa, registando nos primeiros sete meses do ano 10,6 milhões de hóspedes e 29,9 milhões de dormidas, equivalendo a crescimentos homólogos de 10,7% e 10,2%, respectivamente.

Ainda bem! Mas esse crescimento em nada se reflectiu na vida destes trabalhadores, antes pelo contrário! E não podemos aceitar que Portugal se transforme, tal como muitos paraísos turísticos, num país de terceiro-mundo com milhões de turistas, mas em que os trabalhadores que os servem vivem e trabalham em condições miseráveis.

O SITAVA adopta em todos os processos em que participa uma postura propositiva de resolução dos problemas, procurando o diálogo em todas as circunstâncias.

O que, nem o SITAVA, nem os trabalhadores podem aceitar é que:

a SPdH/Groundforce esteja num risco iminente de desaparecer no curto prazo, destruindo 3000 postos de trabalho

a Prosegur e a Securitas perpetuem uma situação de precariedade eterna aos trabalhadores responsáveis pela segurança dos passageiros, em muitos casos em condições terceiro-mundistas

a Portway imponha regras laborais ilegais e assedie moralmente os seus trabalhadores diariamente

a ANAC e o Governo sejam cúmplices com a desregulamentação, a precariedade e as sucessivas ilegalidades.

Não cabe aos 40 milhões de passageiros que passam pelos aeroportos nacionais preocuparem-se com as condições dos trabalhadores que os servem diariamente da melhor forma possível. Não o esperamos também da parte das Confederações Patronais. Compete-nos a nós fazer a defesa dos trabalhadores, o que neste caso concreto, significa também a defesa do serviço prestado nos aeroportos.

Não está nas mãos do SITAVA evitar que as greves se realizem. Esse ónus está no lado das multinacionais (Vinci, Prosegur e Securitas) no caso dos APA's, está nas mãos do Sr. Humberto Pedrosa (no caso da SPdH/Groundforce) e nas mãos da Vinci (no caso da Portway). E está nas mãos do Governo, que pode fazer bem mais do que promover reuniões e espalhar promessas.

São essas as entidades que são responsáveis pelas greves, ao quererem generalizar a precariedade e a exploração nos aeroportos. Nós vamos ser obrigados a realizá-las, e a intensificar a luta.

 

 

 

 

 

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